Avaliacao E Certificacao Reflexao Final

Reflexão Final

Valentina Esteves da Silva Madaleno Cardoso
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Data: 7/6/2014

Hoje a nossa sociedade vive envolvida em tecnologia que nos permite ter uma maior qualidade de vida. Seria impensável que a escola permanecesse indiferente a esta evolução. Deste modo, estamos perante desafios e mudanças que exigem uma educação de qualidade e professores preparados para se apropriar das tecnologias e promovê-las na aprendizagem dos alunos.
Enquanto Pablos (2006, p66) refere a importância da oralidade e da escrita como ferramenta cultural, fundamental na evolução do conhecimento humano, também podemos afirmar que o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação estão a possibilitar e a propiciar o desenvolvimento e difusão do conhecimento. Morin (2004) refere que as tecnologias por si só não mudam as escolas, mas é um facto que estas encerram inúmeras possibilidades de apoio ao professor e de interação com e entre alunos. Nesta perspetiva é fundamental que o professor esteja dotado de conhecimentos informáticos de forma a fomentar nos alunos a aprendizagem autónoma. O uso das TIC (tecnologias da Informação e Comunicação) possibilita a toda a comunidade escolar a oportunidade de analisar, de modo criterioso e a partir do real como um meio de comunicação, o manancial de informações que se recebe diariamente.
Estamos de acordo com Valente (1999) quando afirma:
“…a utilização do computador na educação é muito mais diversificada interessante e desafiadora, do que simplesmente a de transmitir informação ao aprendiz. O computador pode ser também utilizado para enriquecer ambientes de aprendizagem e auxiliar o aprendiz no processo de construção do conhecimento.”
O paradigma educacional é agora redefinido dado que o computador, tratando de ser um instrumento de aprendizagem, assume, em conjunto com o professor, um papel educativo.
Se a nível da educação a utilização das TIC são uma realidade indiscutível e manifestam um papel de relevo no ensino e aprendizagem dos alunos, no âmbito das necessidades educativas especiais apresentam-se como um ótimo recurso de inclusão já que permitem mudanças contextuais significativas, dotando, na maioria das vezes, os alunos com ferramentas que os colocam numa situação muito semelhante aos seus pares. Estas tecnologias permitem um maior acesso ao currículo e consequentemente o acesso ao ensino, derrubando barreiras que, de outro modo, seria impossível. Posso ainda afirmar que estas ferramentas proporcionam atividades desafiadoras e favorecedoras da construção do conhecimento onde o aluno procura, explora, questiona e desenvolve a sua autonomia.
A título de exemplo é de referir toda a tecnologia de acesso que os alunos cegos e de baixa visão têm à disposição, os recursos relativos aos sistemas aumentativos e alternativos de comunicação, para os alunos com problemas de comunicação e ainda equipamentos que permitem o acesso direto e indireto à utilização dos computadores direcionados aos alunos com problemas motores.

Ao longo da minha prática profissional já tive oportunidade e necessidade de recorrer a estas ajudas, nomeadamente com alunos cegos, com paralisia cerebral, com défices cognitivos e com problemas graves ao nível da comunicação. Em todas as situações foi imprescindível e fundamental o recurso às tecnologias. Sem elas a integração dos alunos não seria alcançada.
Deste modo, ao frequentar esta ação tive oportunidade de rever e atualizar algumas das ferramentas anteriormente utilizadas e também conhecer e experienciar algum do manancial de novos recursos colocados à disposição.
A ideia criada pelos organizadores de, através de temáticas diretamente relacionadas com a Educação Especial, podermos experienciar as ferramentas livres, permitiu-me uma aprendizagem baseada na experimentação. Deste modo, e através dos demos/tutoriais disponíveis pude “deambular” e focar o meu interesse em ferramentas que, à partida, me pareceram mais adequadas a cada proposta de trabalho, quer relativamente ao modo como pretendia cumprir cada tarefa quer relativamente às minhas possibilidades/competências na área das TIC. Nesta perspetiva, pude aprofundar a utilização do JClic e conhecer/experienciar o book builder, o mindmeister, o Wikidot, o prezi, storybird e o tico.

No que concerne ao primeiro módulo, onde pudemos, numa primeira etapa, estabelecer o contacto com esta modalidade formativa e colocar dúvidas, considero de maior importância dado, que a minha experiência era nula e este tempo permitiu, de facto, apropriar-me das estratégias necessárias à permanência no curso. As orientações dadas durante estas duas semanas foram essenciais para alcançar os objetivos pretendidos. Relativamente aos trabalhos a apresentar e proposta de reflexão em torno da temática – Políticas de Inclusão e Medidas Educativas para as NEE, considero que recorri, para executar a tarefa sobre a minha apresentação, a uma ferramenta que já dominava minimamente, powerpoint, de forma a sentir-me mais tranquila, para numa primeira abordagem não me confrontar com situações completamente novas, dado que os obstáculos seriam muito maiores. Deste modo, pude “dosear” a minha aprendizagem, baseando-me no meu conhecimento sobre as tecnologias e acrescentando a esse conhecimento novos conceitos e técnicas. Recorri assim, à teoria de Vygotsky, sobre o seu conceito de “zona de desenvolvimento proximal” que considera que a aprendizagem acontece na relação entre o conhecimento existente (conhecimento que já existe) e o conhecimento potencial (capacidade para aprender). Deste modo realizei a minha apresentação pessoal, o e-portefólio e ainda a apresentação através das ferramentas Mind42 e Dipity, - Políticas Educativas para alunos com NEE. Sobre o resultado final considero ter alcançado os objetivos, apesar das dificuldades sentidas. Estas foram sendo resolvidas através da pesquisa e treino na utilização das novas ferramentas.
No que diz respeito ao módulo dois, das alternativas propostas, escolhi realizar, uma demonstração a explicitar como utilizar o software gratuito, Pictoselector. Pretendi reunir, neste trabalho, uma ferramenta que utilizo quase diariamente na minha prática pedagógica, para criar materiais a utilizar com alunos com NEE com graves dificuldades de comunicação e uma nova ferramenta de captura de imagem/ vídeo, nunca utilizada, Camstudio. Refletindo sobre a experiência considero que a mesma resultou em momentos de alta motivação, apesar das dificuldades na utilização desta última ferramenta. As suas potencialidades são muitas e certamente irei, novamente, utilizar este meio.
Quanto ao módulo 3, participei no mesmo, realizando um plano de aula versando as profissões, tema apresentado ao longo do módulo anterior. Para tal e seguindo as instruções dos formadores, após ter explorado a documentação recomendada, sobre modelos de planeamento de unidades de aprendizagem, de acordo com os princípios do desenho universal na aprendizagem, utilizei o Lesson Builder, ferramenta que nunca tinha utilizado ao longo da minha prática profissional. A aula planeada versou o tema profissões. No plano utilizei a taxonomia de Bloom e as inteligências múltiplas de Gardner de modo a diferenciar indo ao encontro do grupo de alunos a quem se destinou esse plano: Alunos com NEE de Carater Permanente heterogéneos quer na idade quer nas necessidades/capacidades. Esta opção de trabalho assenta na minha prática profissional, dado que utilizo, para diferenciar, níveis de estímulos variados e o estilo de aprendizagem dos alunos. Sobre a ferramenta utilizada penso que a mesma permite uma organização mais rápida. No entanto dado que já utilizava um esquema semelhante, para planificar a minha intervenção com os alunos, as vantagens encontradas não foram significativas.
Finalmente, sobre o módulo 4, a ferramenta explorada, book builder, possibilitou o meu enriquecimento ao nível das tecnologias. A utilização desta ferramenta permitiu-me, em tempo útil, abordar, de forma inovadora, uma das temáticas pertencentes ao currículo de vários alunos com NEE, alcançando mais facilmente alguns dos objetivos delineados – As Profissões. Os alunos puderam interagir com o livro mostrando-se muito motivados durante a exploração do mesmo. Este possibilitou diferenciar a intervenção, dado que a possibilidade de audição dos textos apresentados em cada uma das profissões e as ajudas disponíveis (o Eusébio, a Amália e o Zeca), permitiram uma maior compreensão dos mesmos, não só no caso dos alunos que dominam, de forma simples a leitura, mas também no caso dos alunos que não conseguem aceder à escrita. O grupo pôde, assim, partilhar o mesmo recurso, atingindo os objetivos delineados.

É de salientar que o fato de apenas experienciar algumas das ferramentas colocadas à disposição dos formandos, tem a ver não só com a limitação do tempo mas também com as limitações pessoais relativas ao conhecimento das tecnologias. Isto é, o meu ponto de partida para esta formação on line situava-se, numa escala de zero a dez, no ponto um. Outra limitação sentida, apesar do incentivo à discussão e acompanhamento em todos os módulos, foi a “solidão” estabelecida durante a formação e falta de feedback na apresentação dos trabalhos.
Reconheço o grande potencial deste tipo de formações, dado que as mesmas permitem, a cada formando, percorrer o seu caminho, e permitem a abertura de janelas, que vão para além do términus da formação. No entanto, ainda considero fundamental a relação humana criada com a necessidade da presença física.

Em jeito de conclusão e retomando a temática das IAT, posso afirmar que as tecnologias da informação e comunicação são novos recursos ao dispor de todos, com especial relevância para os alunos com NEE, dado que poderão ser motores de diferenciação, potenciadores de capacidades e de autonomia e simultaneamente constituírem-se como promotores de inclusão escolar e pós-escolar.

Algumas referências
MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. S. Paulo: Editora Cortez, 2000.
PABLOS, Juan. A visão disciplinar no espaço das tecnologias da informação e comunicação. In: SANCHO, Juana M., HERNÁNDEZ, Fernando,(Org.). Tecnologias para transformar a educação. Porto Alegre: Artmed, 2006

VALENTE, José Armando. Libertando a Mente: Computadores na Educação Especial. UNICAMP, 1991.

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